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Mensagem de Reflexão |
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O homem triste |
Você passou por mim com simpatia, mas
quando viu meus olhos parados indagou em silêncio o porque vagueio
pelas ruas.
Talvez por isso apressou o passo, e ainda que eu quisesse chamar, a
palavra desfaleceu na boca.
É possível que você suponha que eu desisti do trabalho, no entanto
ainda hoje bati de porta em porta em vão.
Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar o pão, como se a
madureza do corpo fosse condenação à inutilidade.
Outros,
desconhecendo que vendi minha melhor roupa para aliviar a esposa
enferma, me despediram apressados, crendo que fosse eu um vagabundo sem
profissão.
Não sei se você notou quando o guarda me arrancou da
frente da vitrine, a gritar palavras duras, como se eu fosse um
malfeitor vulgar. Contudo, acredite, nem me passou pela mente a idéia
de furto.
Apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçar
com fome, quando retorno à casa.
Talvez
tenha observado as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando que
eu fosse um bêbado, porque eu tremia, apoiado ao poste.
Afastaram-se todos com manifesto desprezo, mas não tive coragem de
explicar que não tomo qualquer alimentação há três dias.
A
você, todavia, que me olhou sem medo, ouso rogar apoio e cooperação.
Agradeço a dádiva que me ofereça em nome do Cristo que dizemos amar, e
peço para que me restitua a esperança, a fim de que eu possa honrar com
alegria o dom de viver.
Para isso, basta que se aproxime de mim sem asco, para que eu saiba
apesar de todo meu infortúnio que ainda sou seu irmão.
.........................................
Essa é a mensagem de um homem triste, quiçá como tantos que vemos
perambulando pelas ruas.
É bem verdade que alguns são de fato pessoas que se comprazem na
ociosidade.
Todavia
há os desafortunados que apesar de trabalhar a vida toda, não puderam
ajuntar moedas para o sustento próprio e da família, e que chegada a
madureza, são condenados pela sociedade a viver como réprobos, embora
sejam pessoas dignas.
É comum observarmos homens e mulheres
puxando um carrinho de papéis e outros objetos recicláveis, para prover
o próprio sustento.
São nossos irmãos de caminhada evolutiva, que não tem coragem de viver
na mendicância, por isso trabalham com dignidade.
Muitos de nós, no entanto, nos enfadamos com essas criaturas que
atrapalham o trânsito com seus carrinhos indesejáveis.
O
que não nos damos conta é que além do peso do carrinho, têm ainda que
carregar sobres os ombros o peso da humilhação e do desprezo impostos
por uma sociedade indiferente.
É verdade que todos nós estamos
colhendo o que plantamos, e que aqueles que passam por essas situações
precisam dessas experiências para crescerem espiritualmente.
Entretanto, são nossos irmãos, filhos do mesmo Pai Criador, e
merecedores sem dúvida - no mínimo - do nosso respeito.
Se
não os podemos ajudar, que não os atrapalhemos, jogando-lhes palavras
amargas, nem menosprezando-os, dificultando ainda mais a sua caminhada.
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